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O que está por trás da tentativa de criação do Fundo de Transporte?

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29/07/2019

Na tentativa de buscar apoio popular, nas últimas semanas ouvimos o prefeito acusar vereadores e outras lideranças da cidade como “traidores de Ponta Grossa” ou contra a “transparência”, isso devido ao fato de estarem contra a criação do tal Fundo de Transporte.

Desde quando a preocupação legítima da Câmara e de entidades com o endividamento do município é uma traição? Muito pelo contrário! É a preocupação com o futuro de nossa cidade que está em jogo e que afeta a todos nós!

Os últimos números, os quais tive acesso, mostram um alto índice de endividamento do município, o qual possui uma dívida histórica de mais de R$ 300 milhões. Além disso, apenas neste ano, a Prefeitura Municipal de Ponta Grossa contraiu mais uma dívida de R$ 100 milhões junto a bancos e linhas de financiamento do estado. E, como se ainda não bastasse, pretende contrair mais um empréstimo de R$ 30 milhões.

Para tanto, precisa “inflar” seu orçamento anual e assim aumentar seu grau de endividamento. Por isso, através de uma jogada contábil, querem criar um fundo de transporte onde as receitas das passagens de ônibus entram e saem da contabilidade do município, aumentando artificialmente em mais de R$ 80 milhões/ano o seu orçamento. Com isso, a prefeitura tentaria matar dois coelhos com uma cajadada:

1) Reduzir o seu limite prudencial, onde a folha de pagamentos já ultrapassa mais de 54%, aliás o Tribunal de Contas está de olho.

2) Poder contrair mais empréstimos junto à Caixa Econômica para poder saldar dívidas que estão muito atrasadas e os fornecedores irritadíssimos.

Entendeu agora o porquê da instabilidade do prefeito?

Mas parece que ele esqueceu de “combinar” com os russos, pois a Câmara de Vereadores (ou parte dela) e entidades como a ACIPG já se “ligaram” nas verdadeiras intenções e não concordam com a criação deste fundo.

Aproveito a ocasião, para ressaltar que nada tenho contra o uso destes recursos para a pavimentação de nossa cidade, em especial, para os bairros mais distantes, mas é importante que se faça um importante questionamento: Por que mais e mais empréstimos contraídos se é a população que paga pela maioria das pavimentações através da CPS? Onde foi parar este dinheiro?

É temerário saber que nossa cidade irá chegar a uma arrecadação de mais de R$ 1 bi a partir de 2020, porém mesmo assim tenha a necessidade de contrair tantos empréstimos. Empréstimos esses que deverão ser saldados nos próximos anos, colocando a próxima gestão do município em uma grande dificuldade financeira (já vimos isso em um passado não distante, onde um prefeito praticamente trabalhou uma gestão inteira para pagar as dívidas do ex-prefeito), dificultando e muito a realização dos grandes projetos fundamentais de infraestrutura que a cidade precisa há décadas e que hoje limitam-se a rotatórias, faixas elevadas e algumas ações pontuais de baixa eficácia.

Para terminar, se a Prefeitura quer mais transparência com os dados do transporte público, basta abrir para a população a famosa planilha de custos da Viação, afinal é uma concessão pública e se está tudo certo não vejo o porquê de todo este mistério com estes números.

No mais, desejo que a gestão municipal reveja suas ações de curto prazo, pois a gestão termina em um ano e meio, mas o dia a dia do cidadão ponta-grossense continua e não pode ser prejudicada com ações irresponsáveis e imediatistas.

Que nossas lideranças preocupadas com a cidade façam valer sua voz e que de fato possam dar início a um questionamento importante sobre a verdadeira situação fiscal do município. E que o prefeito possa ter a humildade de abrir este debate. Afinal, é do futuro da cidade que estamos tratando, pois entre seus erros e acertos não é possível chegarmos a este ponto, onde são tão poucas obras, mas uma dívida imensa!