14 jul 2010
Daniella Camargos,
A ideia de criar o programa surgiu quando os executivos da empresa perceberam a necessidade de reduzir a rotatividade entre seus distribuidores. Na época, a empresa perdia dez em cada 100 deles todos os anos. “Muitos tinham uma gestão ruim e problemas com crédito, por isso éramos obrigados a substituí-los”, diz Aguinaldo Pavan, gerente nacional de distribuição da Syngenta. Hoje, a taxa de perda é quase zero. “É algo raro num setor em que existe uma relação fortemente baseada em preço”, afirma Solon de Araújo, sócio da consultoria SCA, especializada em agronegócio. Para definir padrões para a concessão dos benefícios, a Syngenta classificou seus distribuidores em três níveis — com base em critérios como participação de mercado e número de produtos da marca que vendem. Na primeira avaliação, realizada no fim de 2003, apenas 78 distribuidores entraram no primeiro nível, considerado mais qualificado. Hoje, 240 deles estão nesse grupo. “Tivemos de começar oferecendo uma consultoria porque precisávamos que os distribuidores adquirissem noções básicas de gestão”, diz Pavan.
Logo no início, a Syngenta ofereceu também bonificações em dinheiro por resultado — à semelhança dos programas de incentivo para funcionários — e cursos. Um deles, voltado para os donos de distribuidoras, é uma espécie de MBA em liderança ministrado pela FIA em São Paulo. Criado em 2007, tem duração de dois anos e meio — a primeira turma, com 35 distribuidores, vai se formar em meados do ano que vem. O outro curso, de técnica de vendas, é voltado para vendedores e realizado nas regiões onde os distribuidores estão instalados. Até agora 300 vendedores já participaram. A partir de 2006, 40 distribuidores do grupo de elite foram convidados a integrar cinco conselhos. A cada semestre, eles se reúnem com executivos da Syngenta para discutir questões como mudanças no portfólio da empresa.
A transformação de distribuidores em sócios foi a decisão mais recente — e mais ousada — da empresa. A cada ano, a partir de 2007, os 50 parceiros com melhor desempenho passaram a ter o direito de trocar até 20% do prêmio que recebem em dinheiro no final do ano por ações da Syngenta, listadas em Zurique. Se permanecerem com o investimento por três anos, podem receber até o dobro da quantidade de ações adquirida inicialmente. Subsidiárias da multinacional de outros países, como Colômbia e Estados Unidos, começam a estudar o modelo brasileiro. “Não existe nada parecido com o que fizemos aqui”, afirma Pavan. “Por isso viramos referência para todo o mundo.”
http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/vendedores-agora-sao-socios-539076.html?page=1
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