Joseph McCool, autoridade em headhunt, dá a receita para as empresas recrutarem os executivos certos

Luciana Carvalho,

Escolher os líderes de uma empresa não depende apenas do sucesso anterior na carreira dos executivos. Vários fatores, como cultura, contexto de crescimento e visão de mercado da empresa, contam muito na hora de definir qual é o melhor perfil para a companhia na hora de trocar a gestão. Mesmo assim, há alguns aspectos que devem ser levados em conta ao promover mudanças no alto escalão.O americano Joseph McCool, colunista da BusinessWeek e autoridade em headhunt, falou ao site de EXAME sobre o assunto. Autor do livro Escolhendo Líderes, lançado em junho no Brasil pela editora Saraiva, McCool dá dicas de como acertar na escolha dos principais executivos da empresa.

EXAME – De que tipo de altos executivos as empresas precisam?
Joseph McCool -
Elas precisam de CEOs e líderes seniores preocupados tanto com suas organizações e pessoas, quanto com sua própria reputação, recursos e potencial de compra e venda no futuro. Precisam de líderes que ainda estão de mente aberta e desejosos de procurar respostas com diferentes visões de uma situação. Precisamos de líderes menos egoístas, que consideram seu papel de liderança como um privilégio e uma oportunidade de mudar o curso dos negócios, mas também de mudar o curso de vidas, seja de clientes, empregados, parceiros de negócios ou outros.

EXAME – Quais as principais qualidades que uma empresa deve procurar em um CEO? Como identificar essas características?
McCool -
Correr riscos calculados. Entender que a qualidade e as habilidades de seu time de atrair, reter e recompensar os grandes talentos vão determinar os resultados dos negócios. Procurar a contribuição de outras pessoas quando encontrar uma decisão difícil, mas também ter a convicção de dar suporte quando a decisão for tomada, se comprometendo a aprender – e não repetir – erros passados.

EXAME – Como uma companhia pode recrutar um bom líder? Quais dicas você daria?
McCool -
As empresas devem recrutar alguém pelo alinhamento e ajuste com sua cultura, sua missão central, valores e objetivos estratégicos. Elas devem olhar mais fundo do que o título do cargo que os executivos ocuparam em outras organizações. Quem é ele ou ela como pessoa? O que as pessoas que os conhecem melhor diriam sobre eles? Há um alinhamento entre suas palavras e suas ações? Esses são pontos que devem ser vistos antes de decidir contratar.

EXAME – Quando uma empresa deve contratar um CEO de fora, e quando deve promover um empregado que já trabalha lá ao nível mais alto?
McCool -
Sempre que possível, a empresa deve contratar o novo CEO interno, mas isso depende dos negócios. Se a companhia precisa de ideias e perspectivas frescas, recrutar um talento “top” de fora é um ato sábio. É sempre dito que as companhias estão investindo nas próximas gerações de líderes, mas geralmente não é isso que acontece. Isso faz com que fiquem muito dependentes de talentos externos e, é claro, isso traz um grande custo e risco.

EXAME – Quais seriam as consequências de não se identificar um bom CEO?
McCool - Se uma empresa não contrata um bom CEO, isso pode significar a ruína dos negócios, principalmente para uma companhia pequena. O presidente projeta uma grande sombra sobre o negócio e, por isso, um comandante ruim ou, simplesmente, inadequado, pode causar danos significativos para a cultura organizacional, identidade, moral e comprometimento e produtividade dos empregados. Além disso, se uma companhia tem um CEO ruim, o melhor talento de fora não vai ter interesse em trabalhar lá um dia.

EXAME – E quais os erros que as empresas cometem nos processos de recrutamento?
McCool –
Ser reativo em vez de pró-ativo no desenvolvimento de planos de sucessão. Não fazer o “dever de casa” e desconhecer a consultoria que estão a ponto de contratar. Envolver muitos parceiros nas entrevistas, o que torna o processo mais lento. Não calcular o custo da rotatividade.

EXAME - O senhor diz que um consultor externo pode ser melhor do que um recrutador interno. Por quê?
McCool – O consultor de fora tem uma visão melhor do mercado de talentos e pode e deve advertir a empresa contratante sobre os melhores nomes, e como a companhia é vista aos olhos de grandes executivos contratados em outros lugares. Já o recrutador interno tem uma visão única sobre a dinâmica da organização, cultura e estratégia. Idealmente, o recrutador interno e o consultor externo estão colaborando e buscando os mesmos objetivos. Eles podem e devem ser parceiros.

EXAME – Ultimamente, muitas companhias têm falado sobre um “apagão de talentos”, devido à dificuldade que enfrentam para encontrar líderes realmente bons. Por que o senhor acha que esses talentos sumiram?
McCool -
Sempre que uma economia está crescendo e grandes líderes encontram muitas opções de carreira, os empregadores percebem que vão precisar competir agressivamente para recrutar os mais experientes. Muitas indústrias e muitos empregadores falharam no preparo das próximas gerações de líderes, o que os faz ainda mais desesperados para encontrar esses líderes.

EXAME – As empresas estão capacitadas para identificar esses profissionais?
McCool –
Sim, as empresas são capazes de encontrar alguns líderes por conta própria, mas a maioria prefere recrutar alguém que já está trabalhando no topo da cadeia, e por essa razão, muitas delas acabam competindo pelo mesmo talento.

http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/sua-empresa-sabe-atrair-melhores-lideres-577851.html