Terça foi um dia muito importante para a auto estima do pontagrossense. O Movimento O Paraná que Queremos reuniu milhares de pessoas em seu ato público e deu o seu recado em alto e bom som de que nossa cidade sabe se mobilizar quando é é requisitada!

Com mais de 32 entidades presentes, diversas pessoas dos mais variados segmentos puderam expressar sua indignação ; eram eles estudantes, empresários, membros da igreja cristã, representantes de sindicatos…todos unidos por um ideal de transparência e ética, princípios estes básicos mas que parecem que estão faltando a nossos representantes políticos… Vamos gritar com o Paraná, para que o Brasil nos ouça dizer que não toleramos mais a prática da corrupção na função pública!

O Paraná que queremos é o Paraná da dignidade na vida pública, é o Paraná do respeito do homem público para com o cidadão comum, é o Paraná do governante honesto, do deputado decente, da vida pública limpa.

Na praça pública, que é do povo, como o céu é do condor, como já dizia o grande poeta Castro Alves, é o local apropriado para que louvemos a liberdade de Imprensa, como bem supremo da democracia. Pois, foi graças à liberdade de Imprensa, que a população do Paraná tomou conhecimento da imoralidade reinante na Assembleia Legislativa, pelas denúncias trazidas a público pela RPC TV e pelo jornal Gazeta do Povo. Não fora a coragem e o compromisso público desses dois importantes veículos da comunicação social do nosso Estado, e todos continuaríamos a ser traídos, em nossa boa fé, por aqueles que, nas urnas, elegemos para representar os interesses, anseios e carências do nosso povo. Vale dizer, de todos nós.

E, aqui, é forçoso o registro de um lamento profundo, diante do descumprimento do dever de órgãos e instituições, em relação ao correto emprego do dinheiro público. Ainda que, agora, esteja a promover investigações, precisamos endereçar nosso lamento ao papel do Ministério Público Estadual, por ter consentido, pela ação ou pela omissão, que os desmandos na Assembleia Legislativa estivessem a ser cometidos, por tanto tempo, como se o Poder Legislativo do Paraná fosse um território livre, onde imperasse, apenas, os interesses e as conveniências pessoais de seus integrantes, os deputados estaduais e alguns dos servidores mais graduados da Casa. O Ministério Público é uma instituição de Estado, que tem o dever, único e maior, de agir na defesa dos interesses da população, onde quer que possam eles estar sendo feridos e desrespeitados.

Nosso lamento e com séria preocupação precisa ser levado também para o Tribunal de Contas do Estado, que, da mesma forma, tem responsabilidade direta em tudo o que tenha havido de irregularidade no que deveria ser a Casa do Povo, que se transformou na casa de uns poucos do povo, de uns poucos escolhidos pelo povo, que se sentiram no direito de usurpar o interesse público, de desmerecer a confiança recebida, de ultrajar a dignidade das pessoas de bem deste Estado.

Sobre o Tribunal de Contas, a oportunidade é especial para que possamos propor uma mudança no sistema na composição do quadro de conselheiros daquela côrte, hoje, sob o critério, meramente, político, de interesse e conveniência do governador de plantão e dos deputados estaduais. Pois, a nossa proposta é para que os conselheiros possam ser nomeados, por concurso público, como acontece em todas as áreas do serviço público, em especial, no Ministério Público e no Poder Judiciário. Pois, em nome da moralização pública, que conselheiro do Tribunal de Contas também só possa ser nomeado, por meio de concurso público, desaparecendo, assim, o apadrinhamento político, que é uma das vertentes da prática da corrupção.

Mais que lamentar, temos que nos indignar, eis que não faz sentido haver duas espécies de pessoas, em nossa sociedade, os que trabalham, se sacrificam, produzem e constroem a grandeza deste Estado e os que se aproveitam de todos nós, os que enriquecem às custas de todos nós, os que desmerecem, com vantagens pessoais, ilegítimas e imorais, a dignidade de nossa gente e a grandeza de nosso Estado.

E nosso grito pela moralidade na vida pública não pode se restringir aos escândalos denunciados da Assembleia Legislativa. Esse nosso grito precisa ter conseqüência, precisar ir além dos desmandos e da imoralidade no Poder Legislativo do Paraná, de modo que se estabeleça em cada comunidade municipal o despertar pelo dever da vigilância do proceder de cada homem público, de cada representante escolhido por nós, a fim de que a função pública deixe de ser uma fonte de enriquecimento pessoal e retorne às suas origens, quais sejam, a da prestação de serviço ao bem comum, ao interesse público, ao bem-estar da população.

Parabéns, Ponta Grossa, pela sua presença na rua, na praça, nesse grito do Paraná todo, pela moralidade na política, na vida pública, em cada casa legislativa, em cada casa do Poder Executivo.

Mais do que nunca, todos nós, aqui reunidos na praça pública, sejamos, a partir deste momento histórico, verdadeiros fiscais daqueles que são escolhidos por nós para serem os fiscais do bem público, que nos pertence. Diante da falência a que chegaram no dever que desonram, cabe-nos a obrigação de vigiar, na crença de que será possível, sim, transformarmos a Política em instituição do bem, livre dos oportunistas que a deturparam e a desmereceram aos olhos das pessoas de bem.

Nós queremos que a Política volte a ser uma instituição nossa, da sociedade, das pessoas de bem.

Uma instituição do Paraná, honesto e honrado, que queremos e que haveremos de ter!  E Ponta Grossa nesta terça soube dar o seu recado! vamos em frente!

Quero agradecer a todos que colaboraram com esta grande festa cidadã e da democracia !