25 mai 2010
Naquele instante, toda a cultura da DPaschoal estava voltada para o resultado das vendas. A base da expansão da rede eram os cerca de 200 franqueados, cujo objetivo era ampliar ao máximo o faturamento. Para que todos se envolvessem nos resultados, 80% dos 3.400 colaboradores da empresa eram acionistas minoritários. Eles cobravam lucros com afinco, pois ganhavam participação nos lucros. Além disso, as comissões de vendas eram uma parte importante dos salários. Vender mais gerava, automaticamente, vencimentos maiores no fim do mês. Mas, para Norberto, era hora de fazer com que a empresa olhasse, sobretudo, sua relação com o mercado. “Era preciso convencer os clientes de que vendíamos serviços de confiança e não apenas pneus e acessórios”, diz.
Resistência interna
Pode-se imaginar o tumulto que uma decisão dessas causou dentro de uma companhia com foco nas vendas. Conter as vendas significava, na prática, congelar os salários dos funcionários, já que as comissões não aumentariam. O plano foi levado adiante depois de um demorado consenso: agregar ao salário fixo do pessoal a média das comissões de vendas dos últimos anos. O resultado imediato foi o aumento da rotatividade de funcionários de 10% para 25%. “Mais de 700 pessoas deixaram a empresa depois desse anúncio, a maioria com menos de dois anos de casa”, diz o empresário.
A nova postura da empresa também exigia uma transformação na maneira como os atendimentos aos clientes eram feitos. De simples vendedores, as equipes precisavam se transformar em consultores. A ideia era que os atendentes fossem capazes de orientar os consumidores não apenas na escolha do produto, mas também com dicas de como economizar com a manutenção dos automóveis, por meio de revisões periódicas e planejamento de compras, por exemplo. A capacitação, que começou no início de 2007, foi concluída no primeiro trimestre deste ano e incluía uma apresentação de novos serviços, entre eles o do cartão de garantia do serviço por um ano de troca de pneus, embreagem e amortecedores, entre outros itens.
O novo modelo de negócios também exigia mudanças na imagem institucional. Para isso, as lojas foram repaginadas com um novo layout e as ações de publicidade e propaganda ganharam um novo enfoque. “Com essa decisão, a DPaschoal volta à origem de qualquer negócio de varejo, que é satisfazer os clientes”, afirma José Roberto Martins, consultor de marcas da GlobalBrads. “A maioria das empresas de varejo esquece essa regra primordial e busca apenas o lucro”.
Profissionalização
As inovações não se limitaram apenas à imagem externa da empresa. Também foi preciso encontrar maneiras de melhorar a gestão da Dpaschoal, e foi com esse intuito que consultores da Fundação Getúlio Vargas foram contratados. “Eles nos ajudaram a profissionalizar a diretoria e, dessa forma, enxergar melhor nossos erros”, diz Luiz Norberto. “Com o tempo, desburocratizamos processos decisivos, cortamos custos e ainda substituímos a gestão familiar por profissionais contratados”.
A partir de então, toda a estratégia corporativa, antes restrita aos diretores, passou a ser compartilhada com os gerentes e, por meio deles, com os demais funcionários. O processo ainda incluiu a criação de um conselho de ajuda comercial, formado pelos empregados mais antigos da companhia, com a função de auxiliar e passar suas experiências aos recém-contratados. “Investimos pouco mais de 280 milhões de reais em todas essas modificações de 2007 a 2009″, afirma o empresário. Até o segundo semestre, a repaginação das lojas deve ser concluída. Outra meta é dobrar a margem bruta, hoje ao redor de 3%.
De acordo com ele, agora a empresa tem condições de crescer de modo mais consistente. Até dezembro, a rede deve faturar 1,72 bilhão de reais, com lucro operacional de 48 milhões. Será a primeira vez que a empresa ultrapassará o patamar de 2006, quando o plano começou a ser implantado.
Desembarque na bolsa
Feita a lição de casa, a DPaschoal deve entrar na fila para abrir o capital. A idéia de Norberto é, primeiro, emitir debêntures conversíveis para, a partir daí, planejar a abertura. Essa iniciativa deve demorar pelo menos mais dois anos. “Abrir capital ainda é muito custoso no Brasil”, afirma. “Nossa vantagem é que adequamos a companhia ao processo há anos, e isso não será um problema”.
O empresário assumiu o comando da companhia aos 23 anos, logo após a morte de seu pai e fundador da rede, Donato Paschoal. Este ano, a empresa, que começou com um pequeno posto de gasolina que vendia também acessórios, completa 101 anos. “Eles acertaram na decisão de não deixar a marca, nem os serviços, envelhecerem”, comenta Cláudio Tomanini, professor de marketing do MBA da Fundação Getúlio Vargas. “O que eles oferecem aos clientes é confiança, e isso não se consegue da noite para o dia”. No caso da empresa, trata-se de um projeto que já dura, pelo menos, quatro anos.
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Um comentário para "Por que a DPaschoal decidiu vender menos para lucrar mais"
Trabalhei nesta Empresa durante 21 anos e só cresci,fico feliz toda vez que vejo que as ideias deste brlhante empresário Sr Luiz Norberto, surtem resultado,pois a Dpaschoal sempre caminhou na contra-mão da história,os periodos que mais crescemos foram os de crise,digo,para os outros porque para nós sempre existia uma oportunidade ,hoje sou proprietario de uma industria na cidade de Indaiatuba-SP, e aplico muito de meu aprendizado nesta empreita,digo que sinto falta muitas vezes de estar presente nesta estrutura,mas as coisas nem sempre acontecem do jeito que queremos,posso dizer que a forma de profissionalizar estes cargos se tivessem acontecido em meu periodo,acredito que até hoje estaria nesta empresa.
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