6 set 2010
Thiago Terra,
Apesar do visual antigo, a ação não dispensa os novos canais com o consumidor. Twitter, Orkut e ações de Flash Mob estão entre as ferramentas mais modernas que serão usadas pela rede para atrair o cliente. “Esta é a maior ação de Marketing integrada do Carrefour e mostra para onde conduziremos a rede nos proxinmos 35 anos”, afirma Rodrigo Lacerda, diretor executivo de marketing do Carrefour.
E-commerce, marcas próprias e novas tecnologias
Para lançar o e-commerce este ano, o Carrefour investiu R$ 50 milhões e vê seu portal de compras crescer 40% ao mês. Prova disso é que, em sua estratéia, a loja virtual registrou vendas de R$ 6 milhões com 14 mil pedidos em todo o Brasil. A grande demanda pode ter sido a causa de problemas técnicos ocorridos no lançamento, que retardou a estreia em três horas após o previsto. “Nesta ação de 35 anos, a internet terá a função de oferecer produtos com 35% de desconto, parcelamento em até 35 vezes entre outras ações em redes sociais, diz Lacerda.
Outra área que ganha cada vez mais destaque na rede é a de marcas próprias. O projeto foi intensificado a partir de 2005, ano em que o Carrefour investiu no relançamento dos produtos Nossa Marca. Hoje, a rede possui mais de 1.400 produtos de marca própria, divididos em 10 categorias. Em 2010, a previsão é de que estes itens tenham um aumento de 15% nas vendas. “A ativação das marcas próprias será feita com o sortimento completo de produtos nas lojas. Em cada uma, contaremos a história das marcas próprias com comerciais indoor”, conta Rodrigo Lacerda.
No ponto-de-venda os consumidores serão impactados por ações flash mob e uma ambientação diferenciada. Além do visual, o Carrefour terá atores “infiltrados” entre os visitantes que farão apresentações em meio ao público, chamando a atenção de quem passar pelas gôndolas. “Queremos criar entretenimento e diversão e fazer com que eles se sintam confortáveis na loja”, conta Lacerda.
Integração para criar conceito
Outra iniciativa que o Carrefour espera implantar nas lojas ainda este ano são as salas de cinema. “Lançaremos salas de cinema em algumas lojas do Brasil. A primeira será inaugurada no Rio de Janeiro e depois outra em São Paulo”, adianta o executivo. Esta é mais uma novidade para os consumidores neste ano festivo para a rede francesa, que ainda relançará as sacolas de papel para carregar as compras e o Cartão Carrefour, que volta a apresentar o seu primeiro layout.
A integração é a marca registrada desta campanha. As peças de comunicação veiculadas serão baseadas nas que foram usadas em 1975. Todos os detalhes foram pensados pela F\Nazca, que inseriu as gírias usadas na época e alguns detalhes como figurino e maquiagem que serão exibidas na TV. Já para os veículos impressos, a agência reproduziu a primieira página da Folha de São Paulo em 1975, colocando como manchete principal o lançamento da rede.
O conceito de 35 anos foi levado também para o concurso cultural. As melhores histórias sobre bons momentos vividos no Carrefour concorrerão a 35 carrinhos de compra. Para os clientes mais antigos, a rede anuncia a volta da pista de patinação no gelo depois de verificar uma comunidade no Orkut com mais de 40 mil membros que dizem adorar patinar na pista do Carrefour.
http://portalexame.abril.com.br/marketing/noticias/carrefour-faz-maior-acao-integrada-marketing-aos-35-anos-593775.html?page=1
2 set 2010
A compra do Burger King, anunciada hoje (02/09), realizada pela 3G Capital é uma daquelas transações emblemáticas que parece anunciar o surgimento de um novo jogador no negócio global, segundo reportagem do jornal americano The New York Times assinada pelo jornalista Larry Rohter. A 3G capital tem entre os sócios os brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles, que estão entre os principais acionistas da AB InBev.
A reportagem destaca que o crescimento da economia brasileira nos últimos anos criou uma nova classe de empresários ricos que estão procurando oportunidades para investir suas fortunas e não estão assustados com a ideia de tentar sua sorte além das fronteiras do Brasil. Os negócios brasileiros não são mais dominados por uma elite cautelosa sitiada em São Paulo, segundo a reportagem. Eles citaram como exemplos Jorge Paulo Lemann e Joesley Batista.Enquanto Jorge Paulo Lemann é filho de imigrantes suíços e ex-aluno de Harvard, muitos dos novos ricos brasileiros são self-made men, em um modelo familiar aos americanos, segundo a reportagem. Exemplos disso são o comandante Rolim Amaro, da TAM, e o próprio Joesley Batista. Para o NYT, Joesley é “talvez o mais intrigante e dinâmico novo empresário no Brasil, que mesmo antes de sua adolescência trabalhava como açougueiro em Goiás e agora lidera a JBS Friboi”.
Entre 2006 e 2008, o número de milionários no Brasil aumentou cerca de 70%, para 220.000, segundo pesquisa da Boston Consulting Group citada pela reportagem. Com cerca de 1/6 da população da Índia, outro país do Bric, o Brasil tem mais milionários do que esse país”.
O que fica claro, após essa aquisição, é o domínio do Brasil em todas as fases da indústria global de carne bovina. O país já é o principal exportador em carne bovina e agora, graças ao acordo de hoje, tem outra saída para incentivar o consumo global.
http://portalexame.abril.com.br/negocios/noticias/compra-burger-king-reforca-dominio-brasil-carnes-diz-nyt-593521.html
2 set 2010
A gestora de private equity 3G Capital está negociando a compra da rede de fast food Burger King por um valor próximo de 2,5 bilhões de dólares, revelou o jornal Financial Times. Os sócios da gestora são Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira, donos da AB-Inbev maior fabricante de cervejas do mundo, que comercializa as marcas Budweiser e Stella Artois e acionistas da AmBev.
Veja.com apurou que o negócio está sendo montado há cerca de três meses e tomou forma há exatamente um mês. Em agosto, um dos sócios esteve no Brasil e comentou com empresários que uma grande negociação estava sendo costurada na 3G, sem informar qual era.
Em 2008, o trio de empresários adquiriu, por meio da 3G, uma grande participação na CSX, empresa norte-americana do setor ferroviário. A gestora, de acordo com o FT, também possui ativos da Coca-Cola e da Kraft Foods. Sua carteira de investimentos é avaliada em 1 bilhão de dólares.
Caso se concretize, a compra da Burger King está alinhada com a estratégia adotada por Lemann, Telles e Sicupira em todas as suas negociações: aquisições de empresas que possuem marcas globais e comercializam produtos com ‘tíquete médio baixo’ (de baixo valor agregado), as quais passam, num segundo momento, por uma reformulação total.
A rede Burger King tem capital aberto na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) desde 2006. Em 2002, foi comprado da Diageo pelo grupo de private equities TPG, Goldman Sachs Capital Partners e Bain Capital. Depois da oferta de ações, o grupo ainda detém um terço do capital do Burger King. Alexandre Behring, braço direto de Jorge Paulo Lemann na 3G, está pilotando as negociações com a rede de fast food.
http://portalexame.abril.com.br/negocios/noticias/rede-burger-king-pode-ser-comprada-brasileiros-593122.html
30 ago 2010
Sylvia de Sá
Para isso, a empresa sediada em Teresina tem como principal desafio fortalecer sua marca para superar uma forte concorrente: a centenária Caloi. Hoje, a produção de 650 mil unidades por ano se equipara às 700 mil bicicletas que são colocadas anualmente no mercado pela Caloi. A expectativa da Houston, no entanto, é fechar 2010 com o número de 900 mil bicicletas produzidas.
Mais de um milhão de bicicletas anuais
Com essa meta, a Houston aproxima-se da Sundown, uma das principais marcas brasileiras do segmento, ao lado da Caloi. Com capacidade produtiva de aproximadamente 900 mil bicicletas anualmente, aos 17 anos, a Sundown tem como principal objetivo a reestilização da linha 2011.
Mas a Houston quer ir além. Com um investimento de mais R$ 8 milhões em seu parque industrial ao longo desse ano, a empresa planeja ampliar sua capacidade instalada. “Queremos nos consolidar como a maior fábrica no ramo de bicicletas do Brasil ainda em 2010. Até fevereiro de 2011, a meta é ampliar para 1,1 milhão”, explica João Claudino Júnior, Presidente da Houston, marca pertencente ao Grupo Claudino.
A empresa, entretanto, sabe que aumentar a capacidade de produção não é o suficiente. É necessário um investimento em branding para fazer com que a Houston venha à cabeça do consumidor na hora de comprar uma bicicleta. Enquanto a empresa tem 12% de participação no cenário nacional - e espera chegar aos 15% até o fim de 2010 - a Caloi garante 35% de market share.
Vendas aumentam no segundo semestre
“Aos 112 anos, a Caloi é uma marca forte e procuramos manter o que foi feito na concepção da empresa. Sempre pensamos em oferecer produtos para todos os tipos de consumidores, desde crianças, passando por produtos para esporte, competição e passeio. Isso está no DNA da Caloi”, diz Ana Paula Nogueira, coordenadora de comunicação da Caloi.
A mesma estratégia é adotada pela Houston, que oferece modelos para os diversos tipos de ciclistas, segmentando suas linhas em categorias como aventura, velocidade, passeio, utilitária, juvenil e infantil. No segundo semestre, o foco na produção aumenta, já que é o período mais importante para o mercado, concentrando a maior parte do faturamento do setor. No período, os modelos infantis ganham destaque, com a proximidade de datas como o Dia das Crianças e o Natal.
Por isso, o licenciamento é um forte aliado. A Caloi lança a linha Princesas, em parceria com a Disney, enquanto a Houston aposta nos personagens Max Steel e Polly Pocket, da Mattel. “Para o público infantil trabalhamos as marcas Caloi e os licenciados. Sabemos que as crianças valorizam os personagens e essas marcas ajudam na comunicação e na venda, porque geram valor agregado”, acredita Ana Paula, da Caloi.
Fábrica em Manaus até 2012
A Houston também está presente na novela Passione, da Rede Globo. A parceria permite que a empresa participe da trama, com o objetivo de fortalecer a marca junto aos consumidores. A ação é parte do investimento de R$ 10 milhões em Marketing somente esse ano, o maior da história da empresa. Em 2005, foram R$ 3 milhões e, em 2004, apenas R$ 1 milhão.
A marca conta ainda com o ator Kayky Brito, o ciclista Sinval Gouveia de Passione, como garoto-propaganda. “Estamos procurando fortalecer a marca num espaço de tempo menor possível”, ressalta o Presidente da Houston, que no segundo semestre apresenta a nova linha de produtos, com 41 modelos distribuídos por diferentes especificações.
“Os principais investimentos acontecem no segundo semestre, quando lançamos a coleção para o próximo ano. Sessenta por cento do que acontece no setor concentra-se nos últimos quatro meses, de agosto a novembro”, aponta Claudino Júnior. Entre os lançamentos, os destaques ficam por conta dos modelos Skinny Top, da categoria aventura, lançado na novela global; e Passione, na linha de passeio, licenciada pela Globo Marcas. A estratégia contempla também o site Eu Vou de Bike, que traz notícias e informações sobre o tema.
Houston planejar crescer 40%
As ações dão base para a previsão de crescimento em 40% no faturamento em 2010, ano em que a Houston comemora a marca de cinco milhões de bicicletas comercializadas desde sua fundação. Hoje, a empresa que tem no nordeste seu principal mercado, representando 33% do faturamento total, conta com 5% do faturamento de R$ 100 milhões, registrado no último ano, pelo Grupo Claudino.
Para manter o ritmo de crescimento, a companhia planeja abrir sua segunda fábrica até 2012. “Sabíamos que não seria viável aumentar ainda mais a produção em Teresina, então decidimos construir uma nova fábrica em Manaus”, explica o executivo da Houston. A iniciativa foca principalmente na chamada linha média-alta, com mais valor agregado e bicicletas com preços acima de R$ 500,00. A nova planta deverá ser responsável pela produção de 700 mil unidades por ano.
http://portalexame.abril.com.br/marketing/noticias/houston-faz-estrategia-produzir-mais-caloi-592195.html?page=1
27 ago 2010
Conheça os pontos essenciais para o sucesso das empresas enumerados pelo especialista do mundos dos negócios
O renomado guru da gestão Tom Peters é idolatrado por homens e mulheres de negócios. Autor de vários best-sellers, como “In search of excellence” (Vencendo a crise, em 1982) e “Liberation management”, Peters foi considerado como o “guru dos gurus” pela revista Fortune e “superguru” pela The Economist.
Em recente palestra em São Paulo, o engenheiro civil pela Cornell University, e Ph.D. pela Stanford University, dos Estados Unidos, deu ensinamentos quase óbvios sobre estratégia e excelência, mas que são ignorados por grande parte das empresas. Confira os principais mandamentos de Peters para garantir a produtividade e o sucesso na gestão dos negócios:
- Desenvolva a comunicação interna. Segundo Tom Peters, o problema número um das empresas é a falta de comunicação entre os diversos níveis da corporação. Se as pessoas não se entendem, não conseguem alcançar objetivo algum.
- Preocupe-se com a relação entre chefes e subordinados. O grande motivo de insatisfação dos funcionários com a empresa é a má relação com seus supervisores imediatos. “Não importa se a empresa está tendo bom ou péssimo desempenho, se o empregado não está bem com seu chefe, ele vai detestar o trabalho”, afirma. Essa relação precisa ser positiva se o gestor quer que a produtividade dos funcionários seja boa.
- Fixe nos detalhes. Para Peters, “execução é estratégia” e, para ter sucesso, é imprescindível ter um objetivo bem traçado - não importa qual - e, mais do que isso, é necessário investir e executar exaustivamente cada ponto. Os detalhes são o que fazem a diferença no final.
- Lembre-se que pequenas ações resultam em grandes resultados. Por meio do exemplo do Walmart, que aumentou muito seus lucros depois de aumentar o tamanho dos carrinhos de compras – facilitando a compra de produtos maiores, como microondas – Peters mostra que não precisa ser um gênio, nem criar projetos altamente elaborados para aumentar a rentabilidade dos negócios.
- Mantenha contato com todos os membros ligados à empresa. Se você gerencia diversas instâncias, pessoas e processos, não deixe que eles fiquem sem sua atenção ou supervisão. É importante delegar funções, mas não deixe nada completamente de lado. Fique de olho nos negócios como um todo para evitar problemas.
- Trate seus empregados como clientes. Nada mais lógico do que tratar bem os funcionários para que eles tratem bem o consumidor final de seu produto. Segundo ele, o trabalho do líder é promover o sucesso, comprometimento e entusiasmo nas pessoas que servem direta ou indiretamente o cliente.
- Volte seu foco para as mulheres. O mercado consumidor feminino é, para ele, uma galinha dos ovos de ouro e, por isso, as empresas devem tentar buscar desenvolver produtos e serviços que agradem a elas. Um bom começo é evitar tratar o consumidor como “ele”, no masculino, e buscar formas mais igualitárias para conquistar esse mercado promissor.
- Seja obcecado em contratar os melhores. “Você pode se concentrar em buscar os grandes talentos, mas você é obcecado por isso?”, indaga. Tom Peters considera que o processo de contratação deve ter máxima prioridade, pois é dele que saem os melhores frutos. Para isso, é imprescindível pensar e repensar os critérios de avaliação dos candidatos para não errar na hora da seleção.
- Saiba ouvir, agradecer e pedir desculpas. A escuta, para ele, é a alma do desenvolvimento das empresas. Com seu tom desafiador, ele instiga os gestores a contar quantas vezes ao dia eles perguntam “o que você acha?”. Ao dar poder às pessoas, ouvir suas opiniões é um reforço para o comprometimento e para o sucesso. O mesmo vale para gentilezas muito esquecidas, como agradecimentos e pedidos de desculpas. Não prejudica ninguém e faz os funcionários mais felizes e produtivos.
- Dê importância ao design. Em um contexto em que a maioria das empresas fornecem produtos de qualidade muito similar, o design é fundamental para atrair consumidores. Peters dá o exemplo da Apple e da BMW para mostrar que o design está muito além da antítese de gostar e não gostar. Ele está entre o amor e o ódio.
- Nunca perca um almoço. “É nos almoços que conseguimos fazer os melhores negócios, pois é muito mais fácil você trabalhar com uma pessoa com quem você teve um contato mais próximo do que com um estranho”, diz. Peters acredita que é nas refeições que afinidades e a simpatia pode surgir, ajudando as partes a entrar em acordo.
http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/mandamentos-guru-gestao-tom-peters-591629.html?page=1
27 ago 2010
O mesmo ocorre em relação a produtos bem mais baratos, mas que são vendidos em estabelecimentos comerciais muito distantes da casa do consumidor. Para este público, o gasto – de tempo e transporte – para chegar até a loja não vale o esforço. Com isso, ele acaba gastando com produtos mais caros em lojas mais próximas à moradia ou ao local de trabalho.
Marca também é um ponto que as classes mais baixas valorizam, uma vez que o forte nome de um produto dá “certeza” de qualidade. “Se uma pessoa compra um produto e não gosta dele, ela não vai poder jogar fora e comprar outro, como alguém das classes A e B poderia fazer. Assim, as pessoas da base preferem pagar mais pela marca e, assim, ter certeza de satisfação”, afirma.
No entanto, muitas empresas ainda ignoram esses fatores, aplicando os mesmos pressupostos que são usados para as classes mais altas. Essa falta de conhecimento resulta em perda de tempo e dinheiro .
O que fazer
Para evitar dores de cabeça desnecessárias em uma investida no mercado consumidor de baixa renda, Michael Chu aconselha os empresários e gestores a sair às ruas, visitar favelas, conversar com pessoas dessa camada da população e observar os casos bem sucedidos de companhias que alcançaram esse objetivo. “Não tem como saber o que a classe C quer se a pessoa ficar dentro de seu escritório. Você tem que andar pelas ruas e favelas. Todos nós temos imagens nas nossas mentes sobre pobreza e baixa renda, mas muitos conceitos e preconceitos, geralmente, estão errados”, diz Chu, que participou recentemente de um evento da Fundação Estudar.
É preciso também ter consciência de que atingir o mercado da base da pirâmide não está, necessariamente, ligado a preços baixos. Na verdade, o que essa classe precisa é de empresas que ofereçam melhores preços do que os que as pessoas estão pagando atualmente. Uma opção sugerida pelo especialista é a produção em escala, que aumenta o volume de produção, mas não sobrecarrega os gastos da empresa.
Outro ponto ressaltado pelo especialista é a necessidade de pensar cada produto de acordo com o público. Por exemplo, não adianta vender um xampu de ótima qualidade, mas que só seja eficiente para uma pessoa que tem água encanada e chuveiro em casa. “Muitas dessas pessoas precisam de produtos adaptados às condições de vida. Se elas não têm água encanada, como podem usar um xampu cremoso e de difícil enxágüe?”, indaga. Aos poucos, as empresas estão percebendo que, a cada resposta a essas questões, mais oportunidades de negócio são abertas.
http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/classe-c-nem-sempre-quer-preco-baixo-diz-michael-chu-590988.html
26 ago 2010
por Adriano Silva
Como uma empresa desconhecida faz para ir de zero a quase 250 vendas num só dia, sem nenhum investimento em marketing? Pergunte-me como.Cauda Longa é um conceito sintetizado pelo Chris Anderson, editor chefe da revista Wired, no seu já clássico livro homônimo, e que prega mais ou menos o seguinte, de modo bem simplificado: cada vez mais aquela regra de que 80% do seu faturamento vem de 20% dos seus clientes deixará de ser verdadeira. Cada vez mais os produtos terão vida longa a partir de vendas marginais que se perpetuarão ao longo do tempo. Cada vez mais você venderá pouco para um número enorme de compradores ao invés de garantir seu faturamento vendendo muito para poucos. Cada vez mais, pequenos produtores poderão vender seus produtos para um número enorme de gente, sem grandes necessidades de estoque, de verba de marketing, de investimentos portentosos, de estruturas próprias de distribuição complexas. Tudo isso, claro, decorrência do impacto benfazejo da internet e do mundo digital em nossas vidas e em nossos negócios. Em resumo: não é mais preciso ser grande para existir. É preciso ser bom. A importância do capital fica bastante relativizada num mundo em que a queda das barreiras de entrada, em que a democratização das ferramentas, é uma realidade que não para de se agudizar.
Uma pessoa próxima a mim acaba de implementar um pequeno negócio – sobremesas finas, diferenciadas. É o nicho do nicho, uma vez que se trata de uma patisserie que opera no high end de um mercado que já é bem específico. A empresa tem o tamanho do talento da chef que produz os doces. Portanto, não é, nesse momento, um big business. Há algumas semanas, ela decidiu divulgar mais fortemente seu negócio na internet. Ela já fornece para algumas lojas de varejo bem qualificadas, e também já atende a eventos particulares e corporativos. Mas queria começar a vender diretamente seus produtos ao consumidor final. Como chegar até esses possíveis interessados? Como se tornar conhecida? Como tantos empreendimentos, não conta com um profissional de marketing, muito menos com um departamento de marketing ou com um orçamento de marketing. Panfleto na esquina, vender a casa e o carro e anunciar na novela 3, anúncio nos classificados do jornal? Que caminho seguir?
A revolução do Google, com seu mecanismo de links patrocinados, é até hoje uma das pedras fundamentais da teoria da Cauda Longa – praticamente qualquer um pode comprar uma palavra no Google, tornando o link do seu site visível para os milhões que fazem buscas no Google, o que faz com que para ser um anunciante não seja mais preciso ter 1 milhão de dólares no bolso para fazer o tradicional pacote TV/Revista/Rádio/Jornal. Com um índice de dispersão baixíssimo em relação a outras formas de anúncio, já que o link de uma empresa que comprou a palavra “creme brulê” só vai aparecer para usuários que buscaram a mesma palavra no Google. A lavanderia da esquina, portanto, nesse novo cenário, pode anunciar seus novos serviços gastando 50 reais por dia – ou até menos – às vezes com mais eficiência e melhores resultados do que uma concorrente mais convencional que gasta, digamos, 50 000 reais, de uma escolha de mídia mais dispendiosa e menos precisa.
Além de comprar algumas palavras no Google – as tais Ad Words – a minha amiga patissier tentou a mão com um site chamado Peixe Urbano – um dos tantos que viraram febre desde uns poucos meses para cá com sua fórmula de oferecer um ponto de encontro transacional entre empresas dispostas a conceder grandes descontos em parte de sua linha de produtos por um período de tempo determinado e pessoas interessadas em comprar itens em liquidação. Ela colocou três tortas – uma de pecan, uma com mix de nuts e outra de chocolate meio amargo – no Peixe Urbano por um dia, oferecendo 51% de desconto para um mínimo de 30 pedidos. As tortas que geralmente saem por algo em torno 70 reais custariam somente naquele dia 35 reais. Vendeu quase 250 tortas para mais de 200 pessoas diferentes ao longo daquelas 24 horas. Eu fiquei de queixo caído.
E, depois, pesquisando outras ofertas nesse e em outros sites do gênero, vi que tem esteticistas vendendo 500 tratamentos num só dia, que tem lanchonetes vendendo 1 500 sanduíches com desconto. São números impressionantes. E o mais impressionante, a meu ver, é a lógica subsersiva da operação, o modelo de negócios revolucionário e a ruptura que se dá nesse tipo de interação entre compradores e vendedores no meio digital. Nada que ela fizesse poderia ter vendido 250 tortas num dia, mais de 10 produtos por hora, para pessoas que não a conheciam, tendo ela uma marca que até ali não havia tido nenhuma visibilidade junto ao consumidor final. Nem um anúncio em revistas do segmento, nem um banner em sites de gastronomia, nem uma meia página no jornal, nem um monte de jingles tocando no rádio. Sobretudo, sabe o quanto essa ação custou a ela? Nada, além do forte abatimento que operou no seu preço, em nome de gerar a degustação – paga – de seus produtos. Admirável mundo novo. Cauda Longa na cabeça. Viva.
http://portalexame.abril.com.br/rede-de-blogs/manual-do-executivo-ingenuo/2010/08/25/minha-experiencia-com-a-cauda-longa/
25 ago 2010
Mais uma megafusão acaba de ocorrer. A LAN chilena “combinou-se” com a TAM – como gosta de dizer Líbano Barroso – presidente da TAM, criando assim mais uma megacorporação. Esta é mais uma entre tantas ocorridas nos últimos anos e eu gostaria de comentar aqui algumas características interessantes destes processos de união.
Após os acertos técnicos, geralmente conduzidos por empresas de consultoria e assessores jurídicos especialistas em aquisições e fusões, inicia-se a etapa de que chamo de “defensivas”. Ambas as partes envolvidas no negócio, apressam-se para mostrar aos acionistas, funcionários e clientes que a decisão foi acertada. As pessoas começam a questionar quem mandará em quem. Ora, supõe-se que uma união deste porte deva produzir resultados em termos de sinergia de serviços e, claro, de pessoas.
Passamos assim a uma segunda fase: a temida reestruturação. Os espaços devem ser ocupados, ou melhor, repensados. Neste exato momento existem as misturas culturais. Por melhor que estes processos sejam planejados, eles sempre serão duros e mais demorados do que o previsto. A ânsia de demonstrar resultados rápidos gera ansiedade e muitas vezes instala-se o caos.
Não estou dizendo que fusões sejam ruins, ao contrário, estou apenas lembrando que devemos admitir a complexidade e os desafios existentes entre as partes. Não é somente o caso recente da LAN – uma empresa com uma história de altos e baixos, desde sua privatização até a recente expansão no mercado sul americano, e a TAM – em sua luta constante para firmar-se como líder em um mercado ameaçado pela abertura ao capital estrangeiro. Claro que teremos um choque cultural, assim como Itaú e Unibanco, Brahma e Antarctica, Perdigão e Sadia, Hp e Compaq, Volkswagen e Ford tiveram, somente para citar algumas.
A gestão da fusão é uma gigante oportunidade para que as empresas consigam unir potenciais – nem sempre lembrados. O que funciona melhor em cada uma das organizações? O que pode funcionar ainda melhor na fusão das duas? Quais processos otimizados podem ser compartilhados? São reflexões que muitas vezes ficam esquecidas.
Espero que LAN e TAM não comecem a semana apenas pensando em quanto de recursos serão economizados com a união, ou quais linha poderão ser otimizadas, ou quantas diretorias poderão ser fundidas. Estas são questões comuns, fáceis e pouco atraentes. Seria mais interessante, tentar criar a imagem positiva que o grupo pode ter em alguns anos, com quais apelos, diferenciais e resultados esperados – este é o desafio de seus mais de 40.000 colaboradores – espero que tenham sucesso.
http://portalexame.abril.com.br/rede-de-blogs/gestao-positiva/2010/08/15/latam-o-que-vem-depois-de-uma-megafusao/
24 ago 2010
por Marcelo José Ferraz Ferreira
Certamente que o advogado, para a excelência nos seus trabalhos, deve dispor de conhecimento técnico-jurídico aliado a uma boa base teórica do Direito.
Mas, especialmente quando este advogado atua de forma direta na empresa, ou junto a ela, a disposição de informações acerca de outras áreas do conhecimento pertinentes ao universo corporativo se mostra de grande relevância também.
E, dentre tais informações, talvez a de aplicação mais imediata diga respeito à gestão, em especial à gestão de pessoas.
Para a gestão de pessoas, por sua vez, é importante o desenvolvimento da liderança. Da boa liderança. Da liderança obtida pelo reconhecimento dos liderados, não pela pretensa força ou autoridade do cargo.
É nesse sentido que a obra “O Monge e o Executivo – Uma História sobre a Essência da Liderança” (Editora Sextante), de autoria do norte-americano James Hunter, deve ser lida por advogados que atuam com o gerenciamento de equipes, seja em escritórios de advocacia, seja em departamentos jurídicos.
Normalmente, os advogados não são orientados nas faculdades de direito para o trato de questões de gestão ou finanças, por exemplo, ainda que de forma básica ou superficial. A preocupação dos bacharelandos com a técnica jurídica é tão grande – o que é bastante compreensível, em razão da extensão da matéria e da sua complexidade –, que se esquecem (ou acham irrelevantes) toda e qualquer matéria “extra-jurídica”.
E, na contra-mão de tal realidade, permito-me dizer aos advogados corporativos que, para o bom desempenho de suas funções, comecem a se interessar por outros temas além do mundo jurídico. Que tal um pouco de gestão, com uma pitada de finanças (tudo bem, essa vai a gosto: advogados não são mesmo afetos a números), com uma dose de marketing jurídico (sim, isso também existe no mundo dos advogados) ?
Quer mais exemplos ? Técnicas de negociação – que, salvo raras exceções, os advogados não aprendem nas faculdades de Direito no Brasil –, também são bastante relevantes. O mesmo se diga quanto à mediação. E como tais matérias estão fora da grade curricular das faculdades, cabe ao profissional criar a iniciativa de buscar informações sobre elas, objetivando seu aprimoramento.
Mas, voltando ao tópico desta postagem, a título de breve introdução e embasamento para o imenso campo da gestão, reitero que vale a pena a leitura da obra “O Monge e o Executivo”. Pode-se dizer que o best seller já se trata de um clássico entre os administradores, de linguagem fácil, em forma de narrativa e que certamente fará do advogado corporativo um líder melhor.
Que tal, enfim, esquecer por ora os códigos, as leis, os contratos, a jurisprudência dos tribunais superiores, a doutrina e os processos ?
Pensem nisso. Sigamos em frente!
http://portalexame.abril.com.br/rede-de-blogs/advogado-corporativo/2010/08/21/o-monge-e-o-executivo/
23 ago 2010
A decisão do atacante Neymar, do Santos, anunciada nesta quinta-feira (19/8), de permanecer no clube, e abrir mão de um salário de aproximadamente 9 milhões de reais por ano no clube inglês Chelsea, surpreendeu o público. Contrariando o clichê de que todo jogador de futebol brasileiro tem como única meta jogar na Europa, Neymar deu provas de que salário nem sempre é determinante nas decisões entre um trabalho e outro.
O Santos, por sua vez, resistiu à tentação de vender o atleta por 67,6 milhões de reais (ou 30 milhões de euros) e não deixou por menos. Para segurar o jogador, fez uma contraproposta que levou em conta as necessidades, não apenas financeiras, do jogador. Juntos, Santos e Neymar mostraram que um bom plano de carreira pode ser uma estratégia eficaz para manter os talentos da equipe.
Para mostrar algumas lições que o caso pode dar, o site EXAME conversou com a coordenadora do Veris Carreiras, da Veris Faculdades, do Grupo Ibmec Educacional, Priscila de Azevedo Costa Martins, e com a professora associada da Fundação Dom Cabral, Rosângela Pedrosa. Confira as lições que as empresas podem tirar deste episódio.
A empresa deve propor o que o profissional busca
Muito além das cifras, o presidente do Santos, Luis Álvaro Ribeiro, conseguiu cativar Neymar por algo bem característico do jogador, a vaidade. Dentre outras coisas, o plano de carreira oferecido pelo clube prevê ações sociais, media training e todo o preparo para que ele possa se firmar como ídolo. Ribeiro quer transformar o craque em um mito, como aconteceu com Pelé.
Além disso, o clube aumentou a multa de rescisão contratual de Neymar, ajustou seu salário e prolongará por mais cinco anos o tempo de contrato. Para a especialista em carreiras Priscila Martins, o clube soube montar o plano de acordo com as necessidades do profissional.
“Neymar faz parte de uma geração que geralmente busca crescimento rápido, novos desafios, reconhecimento. Se o presidente do clube não fizesse um plano que desse essa possibilidade, certamente o jogador não ficaria”.
A professora Rosângela Pedrosa acredita que esse acordo só foi possível por um benefício mútuo. “Essa foi a prova do potencial do jogador e do interesse do Santos, mas nem sempre as empresas percebem o potencial dos funcionários. É preciso ficar mais atento a isso”, diz.
Consultas a profissionais de sucesso podem ser benvindas
Como parte da estratégia, o presidente do Santos pediu para que Pelé conversasse pessoalmente com Neymar para dar um aconselhamento particular. A tática de colocar o rei do futebol em campo deu certo.
Para Priscila Martins, as pessoas sempre buscam um modelo em quem se espelhar, e consultar os mais experientes pode ser muito válido. “O presidente do clube buscou um profissional para validar a proposta feita, para mostrar que aquilo é factível, pode ser concretizado. É importante que os profissionais conversem com pessoas mais experientes para definir o que querem fazer”, diz.
Já Rosângela Pedrosa tem mais dúvidas em relação ao real poder de decisão de Neymar. Ela acredita que, mesmo tendo sido um contrato em comum acordo, talvez o jogador ainda não tenha maturidade suficiente para compreender a real proporção de suas decisões. Essa segurança sobre os passos futuros é, para ela, algo que vem com a experiência de trabalho e com o tempo.
Não se deve priorizar apenas a remuneração
A frase clichê de que “dinheiro - apenas – não traz felicidade” se encaixa neste caso. Não que o jogador vá ganhar pouco ou menos do que já recebia pelo clube paulista - ao contrário, ele receberá reajuste salarial, mas o fato é que o valor nem sempre supera tudo.
Neymar ficou no Brasil em troca da proposta talvez mais valiosa de se tornar “um mito”. O Santos brigou por Neymar pelo potencial vencedor que ele tem. Nesse jogo de interesse, os 67,6 milhões de reais oferecidos pelo Chelsea não pareceram uma fortuna que valesse a pena.
No mundo dos negócios isso também acontece. Priscila Martins, do Grupo Ibmec Educacional, confirma que atualmente o valor da remuneração nem sempre é tão importante. “O reconhecimento do trabalho, as possibilidades de crescimento, os novos desafios, tomada de decisão, impacto na equipe, tudo isso conta na hora de um profissional continuar ou não em uma empresa”, explica.
Ela deixa claro que isso não é uma regra, mas é o que ocorre principalmente em relação a jovens da geração Y, como Neymar - aqueles nascidos a partir dos anos 80.
A empresa deve ter uma política de carreira
O Santos inovou ao apresentar um plano de carreira personalizado para o jogador, mas essa prática não tem sido adotada pelas empresas. Segundo Priscila Martins, isso deveria se tornar uma política nas companhias e não uma coisa pontual, como o caso do clube. “Essa política de carreira deve ser adotada também para atrair outros talentos e não só manter o que já está na empresa”, comenta.
Ela também considera que criar planos de carreira estruturados para cada profissional pode ser uma boa estratégia para motivar os funcionários e mantê-los produtivos. Já Rosângela Pedrosa discorda dessa posição. A professora acredita que dificilmente uma companhia pode definir planos de carreira estruturados por não terem certezas sobre o futuro da empresa.
Para ela, a retenção de talentos, e não planos de carreira, deve ser o foco. “Os profissionais querem crescer, as empresas querem dar espaço para crescer, mas não há espaço para planos estruturados de carreira para eles”, diz.
Se prometeu, tem que cumprir
Um plano de carreira pode ser muito tentador para qualquer profissional, seja ele um atacante de futebol ou um gestor, mas é preciso que a empresa garanta que ele seja cumprido. Esse será o desafio do Santos pelos próximos cinco anos. Neste ponto, as especialistas Priscila Martins e Rosângela Pedrosa concordam: o clube - e quem quiser seguir os passos dele – terá que cumprir suas próprias regras, pelo bem de seu patrimônio.
Priscila Martins resume: “Se o profissional perceber que aquela proposta é mentira, ele vai querer sair mesmo. É um risco também para a empresa”.
http://portalexame.abril.com.br/gestao/noticias/santos-neymar-ensinam-gestao-carreira-589839.html?page=1
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